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A marca do Amado

  Grava-me como selo em teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão; os seus ardores são chamas de fogo, são labaredas divinas. Nem as águas caudalosas conseguirão apagar o fogo do amor, nem as torrentes o podem submergir. Se alguém desse toda a riqueza de sua casa para comprar o amor, seria ainda tratado com desprezo. (Cant 8, 6-7)   No tempo em que estas palavras foram escritas talvez não fosse tão comum marcar a pele com tatuagens, pelo menos voluntariamente. Os escravos podiam receber uma marca indelével na pele, para serem reconhecidos como propriedade dos seus senhores. Lembramo-nos das marcas dos prisioneiros de campos de concentração. E vivemos num mundo cheio de marcas. As marcas comerciais que se nos colam aos olhos, até com risco de nos cegarem, os hematomas, fruto da violência ou dos desastres… No tempo da esposa do cântico dos cânticos a tatuagem não se fazia com a ligeireza de um adorno, ou um...

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