Iam para Emaús
«Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo
caminho
e nos explicava as Escrituras?»
Lc 24, 32
Corroíam
caminhos os pés demitidos;
discursos
pedravam os lábios mordidos…
Levavam
um frio
no
sonho vazio,
os
de Emaús.
Em
lento torpor, iam crucificados;
Carpiam
os olhos, na morte vazados;
o
horizonte quedo,
na
tela do medo
seria
Emaús?
Verteram
o fel, em meiga bonança;
Dissecaram
um eco na densa herança…
A
meta surgiu,
tão
preste eclodiu…
e
não era Emaús!
Expurgaram
o ócio, na paz imergidos!
Sorveram
a escolta de um sol, aquecidos.
Arderam
a ir,
sem
se consumir,
até
Emaús.
Espremeram
as uvas na taça poente;
alojaram
a seara num forno premente.
E
logo cozeu
o
pão que encheu
a
refeição de Emaús.
Restauram
os olhos na luz primordial,
tacteiam
no ar a presença vital:
rasga-se
o véu,
agarram
o céu,
já
mais que Emaús.
Despem
a noite, empapados de Dia;
convocam
caminhos, em pés de alegria,
a
levar a aurora,
que
um ileso agora
deixou
em Emaús.
Maria
José Oliveira, SFRJS



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