Meu Deus, como sois grande!
Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!
Adorarei a tua majestade, mais alta que os céus.
(Salmo 8)
Quanto perdemos
em reduzir Deus ao doméstico do nosso mundinho chamado terra! Esta materiazinha
insignificante, que se perde na esmagadora imensidão de um universo infinito,
contém, de facto, no seu infinitamente pequeno, a totalidade do Deus infinito.
Mas não o aprisionemos aí!
Dá-nos trabalho
alargar os limites da nossa admiração e contemplação, não digo que não, mas
deixemos Deus ser Deus! Pensando em Deus como o Criador, ficamos desconcertados
com o exagero de Ele ter feito tanta coisa, aparentemente inútil. Pensamo-nos
como centros do Universo. E desprezamos tudo o resto. Não o reduzamos ao observador
do centro onde nos colocámos. Não somos o Centro. O Centro é Ele que se espalha
por tudo e nos pede a observação. Porque se ocupa Ele nesta dança dos astros, e
nos milhões e milhões de anos para tudo chegar aqui e o ser humano ser criado? Será
apenas por um capricho seu para nos fazer pensar, para nos fazer andar, como
baratas tontas, a entender a fome dos buracos negros, a resolver os enigmas da
matéria escura, a prever o colapso do sistema solar o andar à caça de planetas
habitáveis que possam ter água líquida, ou de nos baralhar a cabeça com equações
que nos expliquem as leis da física?
Que relação tem
o pentágono do polo de Saturno com Deus e Ele com o absurdo gigante gasoso que
é Júpiter? Deus divertiu-se a criar essas excentricidades? Poderia ter feito tudo
mais simples, achamos nós. Tal como os moldes astronómicos da Antiguidade. E
até se andou a pugnar por calar os que colocaram as objectivas dos telescópios
para lá do umbigo humano. Chegavam-nos as explicações sumárias, que
dogmatizávamos para não ter de alargar a visão de Deus. E tudo se impôs e nos
desconcerta, porque os cientistas colocam este Deus, que andámos a acarinhar,
para fora do seu espectro de visão. E também nos confundem. Mas é uma
mensagem?! É um enigma?! Semelhantes cogitações poderíamos fazer ao
debruçar-nos sobre o pormenor da matéria, o infinitamente pequeno, que nos
presenteia um outro universo de enigmas. Precisaria Deus de uma tão complicada
artilharia de forças e de micropartículas para fazer consistente a matéria,
quando descobrimos que ela é apenas um movimento duvidoso no meio do nada? E o
que é o nada?!
Não será antes
por um excesso de amor? O Deus grande e Altíssimo que Francisco de Assis
encontrava nas estrelas, no irmão sol e nos vermes e ervinhas da terra. E nesse
tempo ainda não existia o microscópio como hoje o conhecemos! O Deus da vida
alienígena que tão afadigadamente procuramos.
Viver,
desejando combinar com Deus tudo o que há de observável não é fácil, mas ao mesmo
tempo é tão simples. Reside no maravilhar-se. Neste Deus que late na intuição
dos orientais, que palpita na religiosidade dos muçulmanos e... Se tivéssemos
isto presente poupar-nos-ia pontos o fundamentalismo.
E o pensar
assim desvalorizará a vida em Igreja? A mim não. Amo este Deus que se me revela
na vida em comunhão, que terá outras formas de revelação que não devo
“fiscalizar” ou julgar, quando inseridas numa boa fé e numa consciência reta,
na procura da bondade e da beleza. No ápice deste encontro está Jesus Cristo e
o seu Evangelho. Deus é família e amo a vida em comunidade e sou desafiada a
encontrar tão facilmente o Deus de todos, o Deus do Universo, tão grande, tão
inabarcável, tão infinito na prece sincera de um qualquer humilde fiel que nem
saiba ler, nem escrever, mas se coloque diante de Deus e lhe diga: sou teu.
Esse tempo de
me descobrir no outro como num espelho, esse exercício de encontrar o linguajar
de Deus em tudo o que leio. Fica-me uma vontade tão imensa de ler, que também
queria contar, gritando de liberdade: como
sois grande em toda a terra, Senhor nosso Deus!
Irmã Maria José Oliveira, sfrjs


Comentários
Postar um comentário