Junto à Cruz
Do Evangelho segundo S. João (Jo 19)
25Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe,
Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26Então, Jesus, ao ver ali ao pé a
sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»
27Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o
discípulo acolheu-a como sua.
Maria
Recordo aquele recanto onde o
Anjo me interpelou. Não poderia nessa altura imaginar tudo o que se seguiu. Mas
o Magnificat, cantado quando subi os montes até à minha prima Isabel, volta a
aflorar aos meus lábios de Serva, quando depois de subir o monte Calvário, olho
o corpo do meu Filho florindo e exalando o perfume da misericórdia que se
compadece dos frágeis e empodera os humildes.
Ó meu Menino, quanto te queria agora
arrolar nos meus braços, sentindo a tua vida a crescer. Porque continuas a
crescer dentro de mim. Enquanto alguns te matam, enquanto morres dentro de
alguns, tornas-te uma escada por onde todos podem subir ao céu. Vais ser semeado
na terra e o teu corpo vai florescer. O teu sangue rega esta imensa planície
onde crescem todas as ervas e todos os seres humanos.
Olho a árvore que suporta o meu
estar de pé! Olho o céu que segura o meu almejar! Quantas vezes, Jesus, subias
às árvores para escrutinar os ninhos, ou com a nostalgia de voar. Hoje sobes à árvore de onde vives e
vivificas, como folhagem que oxigena o mundo.
Hoje novamente sou alvo de uma
anunciação para a gestação da nova humanidade, quando dos teus lábios escuto:
"Mulher, eis aí o teu filho!" e como daquela vez respondo: “Eis a
serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38).
O discípulo amado
Eu nada entendo. Tu já eras a
minha habitação, desde aquele momento em que João Batista te apresentou (Cf. Jo
1, 35-36), mas agora tornaste-te o meu lar. Não tenho mais para onde ir, para
onde fugir. Não tenho quem mais quem me cubra. Tu és o meu céu e a minha terra,
o meu ambiente, a minha respiração. Por isso vim abrigar-me debaixo da árvore
onde tu és a floração.
Dás-me a tua mãe para me dizer
que em mim a dás a todos os que aceitam ser teus discípulos, a todos os que
acolherem a tua misericórdia. A tua mãe é a personificação da misericórdia e da
compaixão. Vi-te passar pelo mundo fazendo o bem e agora vejo os teus braços
abertos para abraçar a todos, para acolher a todos. Meu Jesus, sei que também
queres fazer de mim um teu instrumento de misericórdia e compaixão. Como no dia
em que passaste pela praia e me convidaste a seguir-te, volto a declarar, como
declaram os que são discípulos teus: "Eis-me aqui, envia-me, Senhor!” (Cf.
Is 6, 8).
Irmã Maria José Oliveira, sfrjs



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