Expulsou os espíritos possessivos

 

Ao entardecer, apresentaram-lhe muitos possessos; e Ele, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que estavam doentes. (Mateus 8, 16)

É ao entardecer a hora mais perigosa para eles atacarem. Os espíritos impuros, ou possessivos. A hora do cansaço e da fragilidade deixa-nos mais suscetíveis. Jesus bem o sabe. Quantas vezes Ele visita as nossas tardes e loucos seremos se O não convidamos a entrar, naquela astúcia que parece acautelar do relento Aquele que é casa, e lar e porto de abrigo: “Fica connosco, porque vai caindo a noite!” (Lc 24, 29)

Perante uma ténue aproximação de Jesus, todos os espíritos impuros que nos habitam sentem-se em zona de perigo, em denúncia. A mensagem de Jesus sacode as nossas zonas escuras e reservadas ao sigilo do proibido. Mas, ouvido Jesus, a sua mensagem toca-nos e deixa-nos incomodados.

Somos capazes de passar pelo mundo, cheios de espíritos impuros que nos subjugam, que comandam o que somos, que tomam as nossas possibilidades, que geram potências e condicionam os nossos percursos. Despersonalizam-nos. Vencem a nossa vontade.

Mas perante a Palavra de Jesus, eles falam. Há como que um movimento de remorso dentro de nós que nos incomoda e nos faz reagir. Diz, por exemplo, o ócio: “não me desfaças a cama”. A arrogância pode dizer: “preciso de espaço e de voz”. E a astúcia: “não deixes que me comam as papas na cabeça!”. A ganância talvez assim fale: “não me deixes o amanhã descalço”. Uma frase que é bem a indiferença: “é preciso respeitar a liberdade dos outros (leia-se: deixar que cada um se desenrasque!)”. E assim por diante. Quem não conhece estes demoniozinhos, que consideramos meio domesticados, que pensamos poder controlar, mas que, sem darmos conta, “deitam as unhas de fora” quando o clima se descompõe?

Muitos de nós podem ficar por aqui. Os demónios falam, talvez os enxotemos com um pensamento de bom senso e parece-nos que ficaram desarmados. Mas não! Eles permanecem por perto, a rondar a sua casa, à espreita de uma oportunidade e depressa se reinstalam. Um processo de despejo dos demónios exige uma abordagem diferente e mais enérgica. Uma resposta ao ócio do tipo: “Levanta-te, toma a tua cama e anda” (Jo 5, 8). E por exemplo à arrogância: “Dispersa, soberba!” (Cf. Lc 1, 51). E à astúcia: “Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.”(Lc 14, 13). E à ganância: “Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. “(Mt 6, 20) E à indiferença: “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.” (Mt 25, 45) E assim por diante.

Sim, só a Palavra de Jesus tem poder para nos defender, para nos cuidar. S. Paulo tinha razão, a Palavra “tem o poder de construir o edifício” e de nos “conceder parte na herança com todos os santificados” (Cf. Act 20, 32). Ela pode tomar conta de nós! A ela ficamos bem entregues.

Irmã Maria José Oliveira, sfrjs


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