Diz o azeite
Eu sou símbolo de glória e
de luz! Sendo o sangue da azeitona, sou escaldante, alimento chamas, sou suporte
da luz, símbolo da fidelidade no amor que não se apaga quando tem, na retaguarda,
almotolias insuspeitadas. Eu sou sinal da perseverança.
(…) Eu tenho uma palavra sobre a beleza. O brilho hidratado
e túmido da juventude, o óleo da alegria, que brilha na fronte, como um sorriso
a escorrer pela vida.
O brilho da minha massagem
chama o sol, que o reflete nas auras da pele ungida por mim, eu dou o toque da
realeza.(…)
Molho dos sacramentos, eu acompanho
o crescimento da fé, desde a unção que abre as portas do batismo entre a
maturidade de uma resposta consciente, na confirmação, até ao cume da
peregrinação, quando a maior fragilidade faz entrever a outra porta do mistério
da vida. Simbolizo a força de Deus
que adestra para os verdadeiros combates. A força de que eu cuido leva o
ingrediente da humildade.
Eu sou o luzeiro dos
doentes, alumio os cuidadores, amacio as suas mãos, consolo as feridas,
refresco o crepitar da dor, promovo a cicatrização das chagas…
Símbolo da abundância e da
felicidade, gordura saudável, tempero da alimentação refinada, eu sou a
medicina dos Céus. O bom sabor de Cristo e também o seu melhor odor, pois eu
alio-me aos perfumes que, pela minha estabilidade, se colam à pele das
testemunhas do amor e vão chamando olfatos para a mensagem odorosa que Jesus
quer instilar no ambiente deste mundo. Como atmosfera que se respira.
Eu coloco a força de Deus
nas mãos que invocam e abençoam, nas mãos polidas pelo sacerdócio eterno de
Cristo que continua a entregar-se na mesma medida em que um dia, junto do lagar
do azeite, disse: “Faça-se a tua vontade, não a minha!” E Ele foi como a
azeitona esmagada no lagar da cruz de onde correu a salvação da humanidade. É d’Ele
que eu recebo a maior glória como símbolo e como linguagem de vida!
Maria José Diegues de Oliveira, in Universo Orante



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